Pois o mundo não é humano por ter sido feito pelos homens e tampouco se torna humano porque a voz humana nele ressoa, mas somente quando se torna objeto de diálogo. (Hannah Arendt).
O convívio entre as pessoas, por natureza diferentes, não comporta espaço para a intolerância, o caos e a cisão.
Pensar por conta própria e de maneira divergente, expressar posicionamentos e tomar decisões, ainda que contrárias aos nossos interesses, são direitos que competem às pessoas, assim como é dever destas mesmas o respeito às demais e à diversidade de opinião, sob o risco de tornarmos inviável o convívio em sociedade.
No âmbito da comunicação, a liberdade de expressão e o respeito à diversidade são condições essenciais. Comunicação é o processo relacional que promove o encontro entre agentes da interlocução, é diálogo entre pessoas, é compartilhamento de significados entre diferentes e, sem o respeito à diferença, sem a predisposição para ouvir e fazer concessões, não há comunicação. É quando imperam o caos, a intolerância e a cisão.
Inerente às Relações Públicas está o lidar com diferentes públicos, não como meio para “harmonizar” conflitos. Tal prática de RP evidencia, em alguns casos, pensamento restrito e consciência ingênua, em outros, a descarada intenção de “coisificar” as pessoas.
Públicos implicam controvérsia, contradição, conflito e estes só são superados, racional e construtivamente, com diálogo. Precisamente aí, cabem as RP, cuja atribuição é instituir as bases para o diálogo. Assim dito e escrito é bonito e parece fácil.
A prática nos confronta com a dificuldade e complexidade que envolvem a busca pelo diálogo, pelo consenso, não o consenso “harmonicamente” forjado, mas aquele que resulta da convivência madura e respeitosa entre diferentes artífices que tecem coletivamente as condições para o alcance de objetivos comuns.
Se não usarmos nossa capacidade intelectual – que não se limita à obtenção de títulos, à produção de artigos, à docência, entre tantas outras atividades que desenvolvemos – para o diálogo e entendimento, atestaremos publicamente nossa incapacidade enquanto comunicadores e, bem pior, podaremos nossa capacidade humana de sonhar e construir coletivamente!



